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“Pérolas” de 2011

image O ano em revista

Os momentos e personagens mais marcantes neste ano de 2011.

 

Por Sérgio Silva - Licenciado em Letras pela Un. Coimbra

 

 

Há factos que vão tornar este ano único, o presente texto pretende apontar alguns dos mais peculiares. Aviso desde já que o critério que subjaz à escolha é muito subjectivo e não pretende de forma alguma ser taxativo ou agradar a todos…

O futebol é um magnífico expoente de emoções a este propósito é importante destacar alguns acontecimentos. O apagão no Estádio da Luz foi algo que fez correr muita tinta! Falta de fair play da parte do clube visitado poderia ser uma delas, mas a que mais me impressionou foi sem dúvida a poupança, o que o Benfica não arrecadou! Tal é discutível, uma vez que gastou água quando começaram a regar o relvado. Mais recentemente tivemos também a famosa “caixa de segurança” quando jogou contra o Sporting, vulgarmente conhecida como “jaula”, talvez tenha servido para “prender o leão” e obter a vitória, quem sabe! O mundo do futebol é assaz estranho e promoveu este ano uma espécie de “ressureição” de Paulo Futre. Depois da famosa conferência com “as paletes de chineses”, ele fez publicidade, entrou numa novela, que talvez por isso ganhou um emmy, lançou um livro, em suma “andou por ”. Muito Bem! Entretanto a selecção fez um percurso mais ou menos imaculado, mas nos últimos tempos afundou-se, salvo seja. Foi necessário imolar a vítima do costume - a Bósnia num play – off, só para dar mais emoção, pois claro! Ricardo Carvalho antecipou-se talvez a este jogo de nervos e decidiu “bater com a porta sem dar cavaco”, e não volta “jamé” enquanto Paulo Bento for o seleccionador. É notável!

Recebemos uma visita única, ainda que dispensável – a troika, essa entidade malvada que veio “pôr ordem no poleiro”, e decretar mais austeridade como manda a “ditadura Merkozy”, entretanto instituida na Europa. A crise acentou-se deveras, ou não, já que segundo o Ministro da Economia no final de 2012 vai acabar, é um facto, tal foi anunciado com pompa e circunstância no Parlamento. Entrementes para quem puder a solução passa por “sair da zona de conforto e emigrar”, palavras de outro membro do governo, aguardamos ansiosamente que dê o exemplo. Talvez por isso tenham entretanto acabado as “scuts”. Podia adoptar-se o seguinte slogan: ajuda o país, emigra e entrementes paga a portagem, “é muito à frente”… O corolário de medidas excepcionais vai para a fusão de um superministério da Economia, Obras Públicas e Trabalho, talvez a ideia inédita de prolongar em meia hora o dia de trabalho para aumentar a produção tenha vindo desta junção! “A cereja em cima do bolo” cabe ao Ministério da Agricultura, onde a ministra decretou o fim do uso obrigatório da gravata para poupar no ar condicionado. Talvez se houver algum funcionário mais renitente em cumprir pode sempre dar um passeio à beira-mar em serviço externo, claro. A política continua a surpreender enquanto o primeiro – ministro italiano decidiu abdicar do seu salário, por cá o nosso presidente da república já disse que ia aproveitar os cartões de Natal de anos anteriores, sinal dos tempos! Todavia nem tudo “vai mal no reino de sua majestade”, uma vez que Jardim vai fazer uma festa de fim de ano de arromba na Madeira, assim é que é, “noblesse oblige”! Para apoiar a produção nacional mantém-se o IVA sobre o vinho. Vamos todos beber vinho luso e pedir factura para cumprir a lei como é óbvio, e não fugirmos ao fisco…

Foi neste período (2011) que o mundo se tornou mais seguro! Morreu Bin Laden, o lendário líder do “eixo do mal”, e com ele acabou por ir também esse “enfant terrible” que era Kadhafi, que é justo dizê-lo, nos últimos tempos não se andava a “portar nada bem”… Quem já começou a solicitar o reenvio das reservas de ouro de volta para a Venezuela foi Hugo Chavez, esse amigo insigne do nosso ex primeiro-ministro Sócrates (não confundir com o jogador de futebol brasileiro que há dias faleceu) …

            A nível de audiovisual há que salientar o regresso do Gato das Botas agora que abandonou os seus companheiros de sempre - o Shrek e o Burro e parece ter ganho uma nova aura. Tintim também chegou em grande forma ao cinema, é curioso observar como a idade não lhe pesa…

Uma nota de pesar para o retorno em força de programas televisivos de que já tínhamos muitas saudades como a “Casa dos Segredos”, parte XX, mais revelações bombásticas que vão deixar o espectador preso à cadeira para ficar a saber que afinal “o céu é azul” ou algo do género! Excelente! Aquele tipo de declarações que podem mudar uma vida…

Há também alguns programas, que confesso não sei se começaram, este ano, mas ainda assim merecem destaque - a Caderneta de Cromos e o Café Central, cada um ao seu modo vão – nos fazendo sair do marasmo que por cá se vive enquanto “os cães insistentemente ladram e a caravana pausadamente passa”, como é seu hábito…

Alguém teve a magnífica ideia de criar uma linha telefónica para onde se poderia ligar para reclamar - o refilão! Uma concepção peregrina, que não sei se ainda está activa, mas é uma invenção única e que merecia um prémio…

            Assistimos também a esse evento singular que foi a eleição das 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal, pena é que tenham deixado de lado o tradicional arroz com ervilhas que era o prato típico das viagens escolares, um repasto muito saboroso, sem dúvida dado o adiantado da hora! Outro acontecimento ímpar foi o mega-piquenique apadrinhado por uma grande superfície que se propôs apoiar a produção nacional, abrilhantado claro por um grande artista nacional - Tony Carreira, uma indubitável garantia de sucesso…

 Houve duetos ditos “improváveis” que juntaram por exemplo Quim Barreiros e Rui Reininho, o resultado foi algo sui generis como seria de esperar. Tudo isto prova que Portugal é muito mais do que “lixo financeiro” como foi recentemente declarado por uma agência de rating. A estratégia para ultrapassar isso passa pela abolição feriados. Um dos que foi proposto é o 1º. de Dezembro, simbólico q. b. , já que vai perdendo o sentido comemorar a restauração de uma independência que é cada vez mais apenas virtual…

O negócio que marcou o ano foi certamente a aquisição a preço de saldo desse grande sorvedoiro nacional, vulgo BPN, que foi comprado por uma bagatela pelos angolanos, uma espécie de recolonização desta vez da potência ocupada pela ocupante. “Graecia capta ferocem inimicum cepit”- a Grécia aprisionada venceu o feroz inimigo, como diria Horácio...

            Para terminar o ano estamos a chegar ao Natal, peculiar, uma vez que o subsídio desta quadra também foi cortado, mais uma pérola que marca este ano já de si fantástico! A grande novidade é que o Pai-Natal parece estar a ser ofuscado por essa personagem incomparável que é a Popota, esse animal assaz insuportável, que por estes dias se agiganta e não dá tréguas, aparece em todo o lado, é impossível fugir-lhe. Pior do que isso só a imensa quantidade de músicas de cariz natalício que por esta altura se é obrigado a ouvir, um autêntico chorrilho de refrões, muitos deles já cheiram a mofo que tresandam, mas tudo bem, dizem que “faz parte” como refere um amigo meu. Melhor que isso é a onda de pseudo-solidariedade com que agora somos confrontados, é só pedincha para tudo e mais alguma coisa, a palavra da quadra é - ajudar. Apetece ir para a porta da igreja, aproveitar o espírito e arrecadar uns trocos, como convém… O que no meio de tudo isto me deixa algo atónito é a candura com que se ouve dizer que isto é apenas o príncípio, porque: “o próximo ano é que vai ser, vai piorar e muito”- dizem…

Duas notas para terminar: 1º. - Os sms com que as operadoras insistem em nos mimosear por estes dias lembrando desde já que para o ano vão subir os preços. Não haverá melhor forma de dar as boas-vindas ao novo ano?

2º. - Um “invento”, como há dias ouvi dizer, a que fui em que as canetas para tirar notas não faziam parte da documentação entregue, nem sequer o certificado, este seria enviado por e-mail. Evita-se assim gastar papel e tinteiro, já é uma sorte ainda haver algumas folhas para escrever, talvez isto seja uma imposição, quiçá encapotada, emanada pela já famosa troika

Ps: O leitor mais atento já terá reparado com certeza que o presente artigo não respeita as regras do novo acordo ortográfico, com o qual não concordo, e que aliás considero uma mera cedência, como tal reservo-me desde já o direito de não o cumprir. É pena que não tenha sido revogado pelos recentes planos de austeridade…

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Comentários (6 colocados):

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