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Crónica : “Infantilidades”

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“O sr. Sócrates”, parafraseando João Jardim, teve a amabilidade de dizer qualquer coisa do género - «pagar as dívidas é algo infantil», neste caso a dívida soberana.

 

 

Por Sérgio Silva - Licenciado em Letras pela Uni. Coimbra

 

Há dias escrevi um artigo que pretendia ser uma espécie de “catálogo” das muitas “pérolas” em que este ano foi profícuo, vejo agora claramente que pequei por defeito! Nem de propósito, passado pouco tempo depois de o dito artigo ter sido publicado surgiram algumas declarações do nosso ex-primeiro ministro que são dignas de registo. Aparentemente estas afirmações assaz originais e merecedoras de um comentário já foram proferidas algum tempo atrás, mas só agora foram divulgadas por cá. Ao que julgo saber o tal discurso, chamemos-lhe assim, foi feito numa universidade. Parece que Sócrates foi para França, quiçá no intuito de escapar às portagens apressou-se a abandonar o país. Feito este intróito vamos-nos focar de novo nas ditas palavras, enfim “revenons à nos moutons” (voltemos à vaca fria), como diriam os franceses. “O sr. Sócrates”, parafraseando João Jardim, teve a amabilidade de dizer qualquer coisa do género - «pagar as dívidas é algo infantil», neste caso a dívida soberana. Note-se que depois de “a bomba rebentar por cá” sentiu necessidade de se retratar e vir dizer que se referia a pagar tudo de uma só vez, tal seria um absurdo. Ora o facto para o qual pretendo chamar a atenção do caro leitor é muito simples! Nós fomos (des)governados durante 6 anos por um político que apenas alguns meses depois de perder umas eleições faz este tipo de declarações. Diria mesmo que se não fosse um assunto demasiado sério seria uma espécie de “apanhados” de um programa de tv para rir. Esta só pode ser uma piada de mau gosto! Então somos confrontados todos os dias com uma dívida colossal que é imprescindível pagar e a opinião de quem teve a responsabilidade de governar o país sobre a dita é a que supra citei. Ficamos assim a saber a qualidade e a fibra de que são feitos muitos dos políticos que infelizmente em múltiplas ocasiões chegam e permanecem mesmo imenso tempo no poder. Assim toda esta austeridade com que agora somos diariamente recompensados é algo desnecessário! Apetece dizer - vamos deixar de pagar as dívidas do nosso dia-a-dia! Podemos sempre argumentar com estas sábias, tal é muito discutivel, palavras. De repente dá-nos um ataque de nostalgia da infância, lá vai mais uma “infantilidade” e contraímos uma outra dívida. Tenho a firme certeza de que o próprio Sócrates, o filósofo, já deve ter dado muitas voltas no túmulo ou algures por aí quando vir que alguém com o seu nome tem proferido palavras tão características…

 

Outro ponto que é com certeza também algo muito semelhante a uma infantilidade é a declaração de Carlos César, dizendo que nos Açores vai mesmo haver tolerância para os funcionários públicos na tarde do dia 23 do corrente, contrariando assim o Governo da República. Esta deve ser mais uma prova de que a real situação do país não é tão grave quanto se faz crer por aí. Outra explicação, quiçá mais consentânea com a época que vivemos talvez seja o facto de muitos portugueses deixarem as compras de Natal para a última hora e assim poderem ter algum tempo “extra” para isso. Muito bem! Uma espécie de – “um país dois sistemas”, mais uma pérola que vai certamente resistir à mácula do tempo e tornar-se um “case study”, digno de figurar nos anais da História. Tudo isto são sem sombra de dúvida “ocorrências” que provam mais uma ocasião que vivemos, ou sobrevivemos cada vez mais, num país único e muito “sui generis”. A última tendência que agora parece estar muito em voga é oferecer uma recompensa par apanhar os larápios. Relembra o far west, quem sabe daqui a uns dias não começam a ser afixados cartazes nas árvores a dizer: “wanted dead or alive”! Poderá estar aqui um novo nicho de mercado. Faço minhas as palavras que li algures por estes dias: «apetece-me emigrar mas não sei para onde

 Termino apenas com uma nota que me parece ser deveras interessante - a proposta pioneira de querer acabar com a prostituição na França! Talvez esta possibilidade também encerre em si uma certa infantilidade, quem sabe! Melhor mesmo só uma possibilidade que noutro dia ouvi e que confesso me deixou de boca aberta - «fazer um furo na televisão» para poder adaptar-lhe o aparelho de tdt, isto no caso de não ter a entrada scart ou hdmi que é necessária para lho incorporar, entenda-se. O leitor mais céptico dirá que estou a delirar, ou ando a ouvir vozes do Além, mas posso garantir que foi tal e qual! Ah pois é…

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Comentários (1 colocados):

Latoya em 21/12/2011 02:37:56
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Such a deep aneswr! GD&RVVF

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